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Coisas Que Aprendi Como Consultora De Carreira Que Ninguém Me Ensinou

Coisas que aprendi como Consultora de Carreira que ninguém me ensinou

Muitos profissionais saem da graduação e/ou de seus cursos achando que estão prontos para todo e qualquer desafio, mas basta ingressar no mercado de trabalho para saber que não é bem assim.
E eu não fui diferente. Quando olho a profissional que fui lá atrás e quem sou hoje, percebo erros e acertos. Ao longo de minha trajetória tive muitos aprendizados, e posso dizer com certeza, que aprendo todos os dias.
Vou trazer aqui, coisas que ninguém me ensinou, que fizeram e fazem diferença em minha carreira:

1.  Atente às diferenças
São várias as opções de trabalho com enfoque em carreira e cada um com suas particularidades, conteúdos e processos. Por exemplo: outplacement, coaching de carreira, coaching executivo, preparação para aposentadoria, entre outros.
Muitas vezes, a tendência é seguir o que foi programado na proposta de trabalho, sem alterações. Porém, na prática não é bem assim.
Temos diante de nós, profissionais com características totalmente diferentes e eles são o nosso verdadeiro foco.
Antes de tudo é necessário entender a real necessidade e expectativa do assessorado e adequar nossa conduta. Cada caso é um caso. Em meu dia a dia, posso dizer que, na maioria das vezes, deixo de seguir o script inicial.

2. Procure ir além do óbvio
Além da personalização da entrega é preciso “entender as entrelinhas”, observar aquilo que está por trás do discurso do profissional: linguagem corporal, hesitações, entusiasmo ou desânimo ao falar de certos temas.
A empatia, a escuta e o acolhimento são essenciais. Em muitas oportunidades entendo que o profissional só deseja ser ouvido e receber atenção naquele momento de angústia e dificuldade.
O tempo reservado para nossa reunião é a oportunidade que o cliente tem para trazer qualquer tema relacionado a carreira. Costumo escutar que é mais confortável falar sobre os dilemas profissionais durante nossos encontros, que é o fórum apropriado para isso, do que compartilhar com pessoas próximas e gerar mais preocupação.
Quero deixar claro que isso não tem nada a ver com psicoterapia. Nosso papel é dar suporte em assuntos relacionados a carreira.

3. Compreenda que temos limites
Mas em alguns momentos é necessário interromper o trabalho e recomendar ao profissional um processo de psicoterapia.
Existem alguns sinais para isso: o processo não caminha, dificuldade muito grande em lidar com aquela situação, inseguranças que atrapalham seguir em frente, falta de autoconfiança exacerbada, pessimismo exagerado (“não vai dar certo”), processo de depressão, problemas emocionais, ansiedade recorrente e outros. Feeling é essencial para identificar os sinais.
Um exemplo que me marcou, foi a condução de um processo com um profissional que chorava em todas as reuniões.
Portanto, é importante sempre ter clareza de quais são os nossos limites em um processo de desenvolvimento de carreira. Jamais essas situações devem ser tratadas por nós. Não é a nossa expertise e é muito arriscado. Estamos lidando com seres humanos.
Aliás, quaisquer temas que não sejam de nosso conhecimento, devem ser encaminhados para profissionais especializados. Estabelecer parcerias é fundamental.

4. Flexibilidade x planejamento de reuniões
Planejamento é importante, mas não podemos deixar que isso nos “engesse”. É muito comum termos uma programação e o assessorado chegar à reunião com outras prioridades. Podemos ter escolhido usar determinada técnica e/ou ferramenta para aplicar no dia, mas notamos a necessidade de alterar nosso plano inicial, dado o interesse manifestado pelo cliente.
Precisamos ter flexibilidade para lidar com essas situações e atender as necessidades do momento. Pode ser mais importante o atendimento dessa demanda, do que o cumprimento da programação.
Por isso, repertório é fundamental para lidar com situações inusitadas. No coaching executivo, por exemplo, é comum o coachee pedir para priorizar uma situação que vivenciou naquela semana como tema da sessão.

5. Dê feedbacks
Fornecer feedbacks é o nosso papel e uma ação primordial em programas de carreira. Não podemos ter receio de falar o que é preciso durante o processo. O importante é entender a pessoa que está na sua frente e a melhor forma de abordá-la. Respeito e empatia serão sempre bem-vindos.
E tem a contrapartida: sempre me coloco disponível para ouvir os feedbacks de meus assessorados. É um dos combinados que faço no primeiro encontro.
Alinhamentos constantes são fundamentais para evitar surpresas ou quaisquer tipos de problemas durante o trabalho.

6. Empodere
É criado um forte vínculo durante o processo. Por essa razão, não é raro a postergação das reuniões finais por parte do assessorado. Chamo de “síndrome de final de programa”.
Por outro lado, é importante que o profissional siga em frente, independente de seu consultor. O “seguir sozinho” também é um dos indicadores de sucesso do nosso trabalho.

7. Ofereça presentes
Nesse caso não aprendi sozinha. Trata-se de uma dica valiosa que recebi e achei interessante compartilhar.
Presenteie seu cliente a cada encontro: uma vaga de emprego, um e-book, uma dica importante, indicação de algo que o assessorado necessita ou que faça sentido para o trabalho.
Também pode ser um bombom ou um pão de mel. Por que não?
O mercado está muito competitivo. É preciso buscar formas de se diferenciar. Qual é o seu diferencial?

Por fim, não existe “receita de bolo”. Chegar com o script pronto e querer segui-lo à risca em cada reunião, nem sempre dá muito certo. É preciso estar preparado, investir na ampliação de seu repertório e sempre ir além, procurando entender as particularidades daquela pessoa que está bem ali na sua frente e buscar a melhor forma de atender às suas reais necessidades.

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