Recentemente tive que lidar com a perda de uma pessoa muito querida, e isso me…

Convivendo com PCDs: relatos que fazem pensar
Vou contar para vocês algumas situações reais e constrangedoras que vivenciei junto a PCDs. Situações tristes e, ao mesmo tempo, engraçadas, que evidenciam o despreparo das pessoas para lidar com esse público. Minhas experiências aconteceram na companhia do meu marido, que tem deficiência visual, e do meu filho, com deficiência intelectual.
Situação 1
Fomos a um laboratório renomado e, logo na entrada, havia uma recepcionista responsável pelo encaminhamento dos pacientes. Ela providenciava “pulseirinhas” de acordo com cada caso. Avisei que meu filho não ficaria com a pulseira. Ela perguntou, dirigindo-se a mim: “E ele?”, referindo-se ao meu marido com deficiência visual. Rimos muito. É muito, mas muito comum as pessoas confundirem as deficiências. Subentende-se que toda deficiência envolve comprometimento intelectual, o que não é verdade. As pessoas sempre se dirigem a mim quando pedem qualquer tipo de informação que poderia perfeitamente ser dada pelo próprio PCD. Ainda existe um certo receio em lidar com as deficiências.
Situação 2
Já vivenciei situações em que pessoas trocaram de calçada para não passar perto de PCDs.
Situação 3
Sou frequentemente abordada com comentários do tipo: “Você é uma pessoa especial e iluminada por conviver com PCDs”. Oi???? Trata-se de um comentário totalmente desnecessário. A convivência faz com que eu não enxergue a deficiência, mas a pessoa que está à minha frente. Todos deveriam ter essa postura, contudo, infelizmente, a barreira atitudinal ainda predomina — e é a mais difícil de transpor.
Situação 4
Meu marido foi realizar um exame de ultrassom em um hospital renomado. Queriam que eu entrasse com ele de qualquer maneira, alegando que eu precisava ajudá-lo. Mais uma vez, a percepção equivocada de que toda deficiência implica comprometimento cognitivo. É difícil e desanimador. E eu não entrei.
Situação 5
Estava levando meu filho a pé para a terapia quando um morador de rua veio em nossa direção. Ele queria esmola, mas, ao ver meu filho, pediu desculpas e foi embora.
Por fim, posso concluir que o preconceito persiste, mesmo com o tema sendo amplamente debatido e com a disseminação recorrente de informações. Ainda existe a visão do “coitadinho” e muita confusão de conceitos. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve avanços, embora ainda haja um longo caminho a percorrer e muitas barreiras a serem superadas.

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